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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Laserterapia na odontologia


A palavra laser é um acrônimo com origem na língua inglesa: Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation (Amplificação de Luz por Emissão Estimulada de Radiação), é um dispositivo que produz radiação eletromagnética não ionizante com características muito especiais: ela é monocromática (possui comprimento de onda muito bem definido), coerente (todas as ondas dos fótons que compõe o feixe estão em fase) e colimada (propaga-se como um feixe de ondas praticamente paralelas). É um tipo de fonte luminosa com características bastante distintas daquelas de uma luz fluorescente ou de uma lâmpada comum.

São justamente as características especiais desse tipo de luz que a faz ter propriedades terapêuticas importantes (Laser de Baixa Potência ou Terapêutico) assim como ser utilizada em cirurgias com vantagens muito superiores ao uso do bisturi convencional (Laser de Alta Potência ou Cirúrgico). As radiações ópticas produzidas por esses laseres têm basicamente as mesmas características, porém se trabalha com o laser buscando resultados clínicos bastante específicos.

A célula tem um limiar de sobrevivência, segundo o tecido onde ela está localizada e segundo seu estado fisiológico. Quando trabalhamos respeitando esse limiar de determinada célula, lhe oferecemos uma baixa intensidade de energia, que será utilizada por ela de maneira que irá estimular sua membrana, ou suas mitocôndrias. Dessa forma estaremos induzindo essa célula à biomodulação, ou seja, ela trabalhará buscando um estado de normalização da região afetada, isso se denomina Laserterapia. Sua principal indicação são todos os quadros patológicos onde se gostaria lograr melhor qualidade e maior rapidez do processo reparacional (quadros de pós-operatório, reparação de tecido mole, ósseo e nervoso), quadros de edema instalado (onde se busca uma mediação do processo inflamatório), ou nos quadros de dor (crônicas e agudas). Quando, ao contrário, se oferece uma densidade tão alta de energia a ponto dessa energia transformar-se em dano térmico e ultrapassar o limiar de sobrevivência dessa célula, estaremos utilizando o laser com finalidade cirúrgica, e a isso denominamos Laser Cirurgia.

O comprimento de onda é fator determinante na interação laser-tecido. Corresponde à distância percorrida pela onda em uma oscilação completa, sendo medida em nanometros (nm) e a freqüência de suas oscilações em Hertz (Hz). O comprimento de onda pode variar desde a luz visível até os raios cósmicos e segundo seu meio ativo, onde é gerada a radiação. É o meio ativo, em geral, que dá o nome ao laser determinando sua pureza espectral e seu comprimento de onda, conferindo características diferentes de emissão e de possível ação biológica.
A radiação laser pode ser refletida, transmitida, absorvida ou espalhada (scattering) pelo tecido. A monocromaticidade do laser determina a absorção seletiva por parte dos cromóforos, com resposta afim a um ou a vários comprimentos de onda, fenômeno conhecido como ressonância a uma determinada frequência. Cada comprimento de onda, portanto, terá um tipo diferente de interação segundo o tecido alvo.

A utilização do laser operando com baixa potência tem sido estudada desde os anos 60, sendo Mester (1966) um dos pioneiros em demonstrar seus efeitos na reparação tecidual.

Os efeitos terapêuticos dos lasers sobre os diferentes tecidos biológicos são muito amplos, ao induzir efeitos trófico-regenerativos, antiinflamatórios e analgésicos, os quais se têm demonstrado em estudos tanto in vitro como in vivo; destacando-se os trabalhos que demonstram um aumento na microcirculação local, no sistema linfático, proliferação de células epiteliais e fibroblastos assim como aumento da síntese de colágeno dos fibroblastos. Muitos estudos clínicos foram publicados confirmando esses efeitos observados no laboratório.
O fibroblasto é a célula constituinte do tecido conjuntivo e sua função é formar a substância fundamental amorfa. Tem um citoplasma ramificado e rodeado de um núcleo elíptico contendo 1-2 nucléolos. Os fibroblastos ativos podem ser reconhecidos pela abundante ocorrência de retículo endoplasmático. Amadurece, transformando-se em um fibrócito. É responsável pela biossíntese de colágeno do tipo 1. Produz substância intercelular e origina células de outros tecidos conjuntivos, são responsáveis pela regeneração.
Os fibroblastos sintetizam as proteínas colágeno e elastina, além das glicosaminoglicanas e glicoproteínas multiadesivas que farão parte da matriz extracelular. Essas células estão também envolvidas na produção de fatores de crescimento, que controlam o crescimento e a diferenciação celular. Os fibroblastos são as células mais comuns do tecido conjuntivo e são capazes de modular sua capacidade metabólica, a qual vai refletir em sua morfologia. As células com intensa atividade de síntese são denominadas de fibroblastos, enquanto as células metabolicamente quiescentes são conhecidas como fibrócitos.



Os estudos in vitro sobre fibroblastos descrevem um efeito proliferativo e/ou ativador da síntese protéica, dependendo das características e parâmetros do laser utilizado como: comprimento de onda, forma de emissão, densidade de potência e densidade de energia utilizadas. Muitos autores trabalharam in vitro com fibroblastos, principal célula responsável na reparação. Estes estudos se correlacionam com outros in vivo que mostraram efeitos, tal como a redução do tempo de cicatrização de feridas dentro do estrato cutâneo e de mucosas. A reparação tecidual é um processo complexo que envolve atividade local e sistêmica do organismo, sendo os fibroblastos uma das células diretamente envolvidas nesse complexo processo.

A ação dos diferentes comprimentos de onda no metabolismo celular vem sendo estudada por diferentes autores. Já se sabe que as ações desses lasers variam segundo a posição que ocupam no espectro de radiações eletromagnéticas, e que a ação sobre as células é diferente para os comprimentos de onda infravermelhos e para os visíveis (vermelho), porém, a resposta clínica não varia intensamente. (mais abaixo falaremos mais sobre isso)

Conceito de Foto-bioativação

O laser operando em baixa potência foi um Bioestimulador, e por isso, por um determinado período de tempo, encontramos na literatura essa terminologia utilizada como sinônimo para designar esse tipo de laser, que também era chamado de laser de bioestimulação. Ainda não se conhecia muito bem seu mecanismo de ação nessa época, e o que se observava era que os terapeutas tinham excelentes resultados no tratamento de feridas e úlceras abertas, estimulando seu processo de cicatrização. Porém, com o passar do tempo, essa terapia começou a ser utilizada não só para estimular e acelerar processos, mas também para detê-los. A terminologia "Bioestimulação" foi escolhida porque basicamente utilizavam essa terapia para acelerar o processo de cicatrização. Entretanto, essa terapia passou a ser utilizada muitas vezes buscando efeitos antagônicos no tecido biológico: foi utilizada para remover excessos de pigmento, mas também para restaurar a falta deles para tratar cicatrizes deprimidas, mas também cicatrizes hipertróficas; para aliviar a dor, mas também para fazer com que a sensibilidade voltasse a instalar-se em áreas de parestesia ou paralisia; para controlar hipotensão, mas também para tratar hipertensões. A partir de estudos clínicos e laboratoriais pôde-se concluir que essa terapia não somente acelerava determinados processos, mas também retardava outros. Os autores começaram então a entender que nesse tipo de terapia, o laser desempenhava um papel de normalizador das funções celulares e OSHIRO e CALDERHEAD em 1991, propuseram a expressão "Balanceador e Normalizador de funções".

Comprimento de Onda 
O comprimento de onda é extremamente importante, pois é ele quem define a profundidade de penetração no tecido alvo. Diferentes comprimentos de onda apresentam diferentes coeficientes de absorção para um mesmo tecido. As radiações emitidas na região do ultravioleta e na região do infravermelho médio apresentam alto coeficiente de absorção pela pele, fazendo com que a radiação seja absorvida na superfície, enquanto que na região no infravermelho próximo (820 nm e 840 nm) constata-se baixo coeficiente de absorção, implicando em máxima penetração no tecido.

A energia dos fótons de uma radiação laser absorvida por uma célula será transformada em energia bioquímica e utilizada em sua cadeia respiratória. O mecanismo de ação é diferente para os laseres emitindo radiação na região do visível (vermelho) e do infravermelho próximo.




A luz laser visível (vermelho) induz a uma reação foto-química, ou seja, há uma direta ativação da indução de síntese de enzimas, e essa luz tem como primeiros alvos os lisossomos e as mitocôndrias das células.

As organelas não absorvem luz infravermelha, apenas as membranas apresentam resposta a este estímulo. As alterações no potencial de membrana causadas pela energia de fótons no infravermelho próximo induzem a efeitos foto-físicos e foto-elétricos, causando o choque entre células que se traduz intracelularmente por um incremento na síntese de ATP.

Os incrementos de ATP mitocondrial que se produzem após a irradiação com laser, favorecem um grande número de reações que interferem no metabolismo celular. Em estados patológicos, o laser interfere no processo de troca iônica, acelerando o incremento de ATP.

A absorção de fótons por parte da célula, seja diretamente por captação a nível de crómoforos mitocondriais (vermelho) ou por ação em sua membrana celular (infravermelho), produz estimulação ou inibição de atividades enzimáticas e de reações foto-químicas. Estas ações determinam alterações foto-dinâmicas em cascatas de reações e em processos fisiológicos com conotações terapêuticas.
Esses processos podem manifestar-se clinicamente de três modos. Primeiramente vão agir diretamente na célula, produzindo um efeito primário ou imediato, aumentando o metabolismo celular ou, por exemplo, aumentando a síntese de endorfinas e diminuindo a liberação de transmissores nosciceptivos, como a bradicinina e a serotonina. Também terá ação na estabilização da membrana celular. Clinicamente observaremos uma ação estimulativa e analgésica dessa terapia. Haverá, além disso, um efeito secundário ou indireto, aumentando o fluxo sanguíneo e a drenagem linfática, por exemplo. Dessa forma, clinicamente observaremos uma ação mediadora do laser na inflamação. Por fim, haverá a instalação de efeitos terapêuticos gerais ou efeitos tardios e clinicamente observaremos, por exemplo, a ativação do sistema imunológico.

É claramente observado nos dados da literatura que os efeitos do laser foram dose-dependentes. Parâmetros de irradiação, como fluência e irradiância foram altamente relevantes para a obtenção de bons resultados. Os efeitos do laser de baixa potência dependeram da fluência in vitro e sua influência dependeu da fase do crescimento celular e do estado fisiológico em que a célula encontrava-se no momento da irradiação, bem como da frequência e número de irradiações, já que uma única irradiação não mostrou ser suficiente para a obtenção de algum efeito celular.

É sabido que clinicamente esses laseres não apresentam ação quando aplicados em órgãos em condição de normalidade, e estudos in vivo demonstram que não há alteração significativa nos resultados obtidos em tecidos em homeostase quando irradiados.


O laser de baixa potência promove os mesmos efeitos de modulação da inflamação e analgesia que a medicação anti-inflamatória não esteroidal (AINE), além de estimular a microcirculação local e a proliferação celular, favorecendo ainda mais os eventos de reparação no pós-operatório.

Nesse sentido, a TLBP (terapia com laser de baixa potência) tem sido utilizada como uma alternativa à terapia medicamentosa em diversas especialidades médicas e odontológicas devido aos seus efeitos analgésicos, antiedematosos, biomoduladores da inflamação e acelerador da cicatrização tecidual.

Em vários estudos publicados na literatura, a TLBP (terapia com laser de baixa potência) demonstrou contribuir positivamente para o conforto do paciente no pós-operatório cirúrgico. É importante lembrar que todos os benefícios da utilização da TLBP no pós-operatório descritos podem ser ainda mais significativos em pacientes comprometidos sistemicamente, a exemplo dos diabéticos e fumantes, que apresentam recuperação dos tecidos mais lenta. O aumento da microcirculação local e a ativação das células inflamatórias e de defesa, associados ao aumento da viabilidade celular, são efeitos proporcionados pela TLBP que explicam respostas teciduais de reparação mais rápida e eficiente mesmo em condições adversas. Para conseguirmos efeitos benéficos da radiação laser, devemos empregá-la de maneira correta. Para isso é necessário que sejam estabelecidos protocolos de irradiação para cada tipo de intervenção, obtendo-se assim o efeito desejado.

Deve-se aplicar o laser de baixa potência nas primeiras 24 horas após a injúria, pois é nessa fase que se observa, nas áreas irradiadas, uma maior afluência de elementos defensivos e um elevado número de mitoses das células do estrato germinativo. Tudo isso provocará a retirada precoce de detritos tissulares da lesão, favorecendo a formação de tecido de granulação nas sessões seguintes à irradiação e, em consequência, aceleração do processo de cicatrização, como se evidencia nos resultados macroscópicos relatados na literatura. Quando a irradiação com laser foi realizada alguns dias após a injúria, não foi observada alteração significativa do tempo do processo cicatricial.

Quais os efeitos maléficos que o laser pode causar?

Devemos observar algumas situações onde o uso da Laserterapia deva ter mais cuidados, entre estes estão: 
1. Estes comprimentos de onda são os mais perigosos para o olho, que não percebe os feixes deste comprimento, mas os focaliza sobre a retina, na qual provocam queimaduras graves e lesões fotoquímicas da retina. A retina sofre lesões de natureza térmica e fotoquímica, já que todos os demais elementos do globo ocular são transparentes para estes feixes. Além disso, parte destes feixes é absorvida pelo cristalino, levando à turvação do mesmo, isto é, à catarata. Isso quer dizer que nunca podemos olhar diretamente para o feixe laser, sendo indispensável a utilização do óculos de proteção pelo paciente, pelo operador e auxiliar;

2. Pacientes com distúrbios da glândula tireóide: deve-se evitar irradiar diretamente sobre a glândula;

3. Pacientes gestantes: Embora não haja nenhum registro de efeitos danosos sobre a mãe, deve-se evitar irradiar diretamente sobre o feto. De qualquer modo, qualquer procedimento que não seja extremamente necessário ser realizado na gestante, deve ser evitado, sobretudo no primeiro e último trimestres da gravidez;

4. Pacientes portadores de tumores malignos da cavidade oral: devem-se evitar irradiações nas áreas ocupadas pelo tumor, pois estudos em células apontaram para estimulação do Laser do crescimento celular.

Sendo o Laser uma forma da radiação luminosa e que opera em faixas de comprimento de onda inofensivas às células, não tendo qualquer ação ionizante, o mais importante é que o profissional saiba aplicá-la nas doses adequadas em cada caso, não se esquecendo de aplicar as normas de biossegurança.

Fonte:
http://www.forp.usp.br/restauradora/laser/Luciana/fibroblasto.html


Leia também:

Terapia fotodinâmica
Clareamento dental
O que pode e o que não pode no clareamento dental
Aftas








domingo, 12 de julho de 2015

Foco

A colgate fez uma campanha para divulgar seu fio dental e mostrou essas 3 imagens. Olhe atentamente para cada imagem. Só leia o restante do texto assim que concluir suas observações.

Visagismo na Odontologia: Que mensagem você quer passar quando sorri?


A odontologia está em constante evolução na área da estética, com a utilização de procedimentos e materiais inovadores, associados à tecnologias avançadas. Uma das técnicas que está em foco na atualidade é o visagismo, o qual pode ser conceituado como a arte de criar uma imagem que reflita as características da personalidade de uma pessoa de acordo com as formas de seu rosto, pois sua aparência pode dizer muito em relação à imagem que deseja ser transmitida. Diante disso, o objetivo desse post é demonstrar como o visagismo se incorporou à odontologia, por meio da literatura científica.

Dentro do visagismo há uma interrelação entre a saúde e arte, há uma busca pela valorização dos aspectos positivos de traços marcantes, bem como a influência destes na identidade e arcada dentária de cada indivíduo, valorizando a arquitetura do sorriso de acordo com sua personalidade individual.

Verifica-se que a utilização do conceito de maneira metódica é eficaz no planejamento prévio, que é realizado por meio de uma consultoria no qual o profissional tem por finalidade buscar uma melhor compreensão do paciente e suas particularidades, esse técnica permite analisar o temperamento de uma pessoa de acordo com o formato do rosto e feições. Categorizando a personalidade em quatro categorias: colérico, melancólico, sanguíneo e fleumático, que visa buscar alcançar seus anseios para que após esta etapa possa restabelecer uma estética dental em concordância com suas características físicas e emocionais, propiciando uma melhora da qualidade de vida e autoestima do paciente.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

VISAGISMO


Visagismo é a arte de criar uma imagem pessoal que revela as qualidades interiores de uma pessoa, de acordo com suas características físicas e os princípios da linguagem visual (harmonia e estética), utilizando a maquiagem, o corte, a coloração e o penteado do cabelo, entre outros recursos estéticos. E em odontologia através da forma, cor, posição e tamanho dos dentes e outras variáveis.

Em 1918, a escola de artes Bauhaus foi fundada sobre esse princípio, por Walter Gropius e um influente grupo de artistas, e seus ensinamentos mudaram definitivamente toda a área de artes visuais, desde as Belas Artes ao Design.

Antes de se pensar no que será bonito ou esteticamente agradável, é preciso pensar para que ou quem a imagem serve. Há casas muita bonitas, mas desconfortáveis, escritórios lindos mas nada funcionais. Há xícaras belas, mas difíceis de segurar. E vemos cortes e penteados belíssimos, que, mesmo deixando a pessoa bonita, não são adequados. Por exemplo, uma jovem médica pode ficar linda com cabelos esvoaçantes, mas não despertará muita confiança em sua competência.

Quando se pensa primeiro na função, esta determinará como a imagem deve ser criada, para ser adequada, sem deixar de ser bela.

O visagismo, palavra derivada de visage, que, em francês, significa rosto, foi criado por Fernand Aubry, em 1937, com o intuito de alinhar a arte de criar uma imagem pessoal a esse mesmo conceito. No entanto, nunca foi possível aplicar esse conceito totalmente, porque faltavam algumas informações essenciais, principalmente sobre a linguagem visual.

Em primeiro lugar, é preciso compreender que toda imagem expressa conceitos, sensações e emoções. A imagem de uma pessoa é constituída pelo seu formato de rosto, suas feições, sua cor de pele, da forma, cor, posição e tamanho dos dentes, seu corte de cabelo, penteado, coloração, sua maquilagem, adornos e, no caso dos homens, seus pêlos faciais. Esse conjunto faz, literalmente, uma declaração ao mundo e à própria pessoa de quem ela é, por meio da linguagem visual.

(contorno é uma aplicação do visagismo pela maquiagem)




(o design de sobrancelha é a aplicação do visagismo)

 Intuitivamente entendemos o que significam as diversas linhas, formas, cores e outros elementos que compõem uma imagem. É por isso que conseguimos sentir o que imagens transmitem. Recentes pesquisas neurobiológicas comprovam que toda imagem cria um impacto emocional, antes que seu significado seja compreendido racionalmente. É por isso que se diz que a primeira impressão é que vale. As linhas, formas e cores têm significados fixos, compreendidos intuitivamente da mesma maneira por todas as pessoas, independentemente de sua cultura ou raça, mas agem sobre a emoção e não a razão. A imagem de uma pessoa, portanto, afeta as pessoas, com quem se relaciona, emocionalmente, criando sensações positivas ou negativas. Mas também afeta a própria pessoa, seu comportamento e sua auto estima.

No sistema de avaliação dos temperamentos de pessoas criado por Hipócrates, há quatro categorias: Sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático. Todas as pessoas apresentam características das quatro categorias, mas em graus diferentes. Essas características têm aspectos positivos, chamados de forças, e outros negativos, chamados de fraquezas (HALLAWELL, 2009, p.115).

Nisso se estabelece um conceito, ou seja, a função da imagem, e esse é o primeiro passo do processo criativo. Mas para criar a forma mais adequada, que melhor expressa esse conceito, é preciso dominar o uso da linguagem visual, conhecendo e estudando seus fundamentos: luz e sombra, cor, composição, proporção áurea, dinâmica das linhas e outros. Os fundamentos são baseados em conhecimentos de física ótica (cor e luz), de matemática, de geometria, de antropologia e das ciências cognitivas, que estudam como funciona a percepção e a compreensão do mundo.

Beleza é criada quando o conceito transmite as qualidades da pessoa - força, criatividade, dinamismo, meiguice ou autocontrole, por exemplo - e quando a forma valoriza as características físicas positivas, expressa harmonia e é criada de acordo com os princípios de estética.

Finalmente, é preciso que o profissional domine as técnicas diversas utilizadas na criação de uma imagem pessoal; corte, coloração, penteado, maquilagem e outras.

Dessa forma ele pode direcionar seu trabalho, exercendo sua habilidade e criatividade, com consciência daquilo que está proporcionando ao seu cliente, sem que dependa da intuição. Saberá o que a imagem que pretende criar expressará e poderá explicar isso ao seu cliente, quase garantindo a sua satisfação.

O visagismo entusiasma porque pode transformar vidas.

A seguir faremos um post da aplicação do visagismo na odontologia.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Atestado Odontológico vs Sigilo Profissional

Embora muitas pessoas associem o atestado de saúde apenas à consultas com profissionais da Medicina, dentistas também estão legalmente capacitados para recomendar repouso, determinar o estado de saúde de um paciente ou simplesmente comprovar que uma pessoa esteve em atendimento de saúde em determinado dia e horário.

atestado odontológico é uma declaração escrita, de consequência jurídica, em que o dentista habilitado dá testemunho de que o paciente esteve em sua companhia, realizando um tratamento de saúde. O documento também atesta a recomendação do especialista em relação às próximas horas ou dias — seja indicando repouso, uso de medicamentos ou retorno imediato às atividades normais.
De acordo com o Artigo 6º da Lei 5081, de 24 de agosto de 1966, o atestado odontológico deve ser escrito em papel timbrado, com os dados do consultório e o carimbo do dentista. Além disso, são informações obrigatórias: a qualificação do profissional (nome e número de inscrição no Conselho Regional de Odontologia), o dia e horário exatos do atendimento, os fins a que o documento se destina (trabalho, escola, serviço militar ou esportes — “para os devidos fins” não serve) e a recomendação profissional, caso exista alguma.
Embora muitas empresas e escolas afirmem que o documento não é válido sem o número do Código Internacional de Doenças (Cid) — classificação utilizada para estabelecer doenças e sintomas —, vale destacar que a informação não é obrigatória. Isso porque o Cid revela a doença da qual o paciente está em tratamento, e significa quebra do sigilo profissional, estabelecido pelo Código de Ética Odontológica.
O artigo 10, do capítulo VI do Código, declara como infração ética “revelar, sem justa causa, fato sigiloso de que tenha conhecimento em razão do exercício de sua profissão”. Com base nisso, um atestado médico pode, sim, ser considerado como “justa causa” para expor a doença, mas apenas se o paciente assim desejar e permitir — e nunca por exigência de outra pessoa ou instituição.
Vale lembrar, por fim, que o atestado odontológico é um atestado de saúde. Por isso, se o dentista avalia que o paciente precisa de cuidados específicos, a recomendação deve ser seguida para que o tratamento seja eficiente. Portanto, repouso não é o mesmo que um dia de folga, e não deve ser visto como tal por empregadores e nem por pacientes.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Antibióticos causam cárie ou enfraquecem os dentes?

Antibióticos não, não, não causam cáries nem enfraquecem os dentes!

Antibióticos são fármacos usados para combater infecções que podem acometer nosso organismo, e seu mecanismo de ação é atuar sobre o agente causador da infecção, bactérias.

As pessoas costumam dizer “meus dentes são amarelos porque na infância eu tomei muito antibiótico” ou ainda “meus dentes são muito fracos porque tomei muito antibiótico quando pequeno”.

O único antibiótico que poderia causar algum “problema” seria a tetraciclina, porém só causará “problemas” quando utilizada no período em que os dentes estão sendo formados (dentes de leite anteriores: da metade da gravidez até 4-6 meses de vida; dentes permanentes anteriores: até 7-8 anos de idade) pode induzir a formação de manchas de coloração marrom-acinzentada na estrutura dentária (veja imagem acima). Só! É importante ressaltar que essas alterações só ocorrem se a tetraciclina for utilizada no período em que os dentes estiverem em processo de formação. Seu uso quando os dentes já estão formados ou mesmo presentes na boca não causa efeito algum ao dente.Portanto, é contra-indicada para gestantes, lactantes ou crianças de até 8 anos de idade.

Algumas doenças podem causar má formação dos dentes, mas comumente são diagnosticadas precocemente.

Os dentes sofrem ataques constantes dos ácidos que bactérias causadoras da cárie produzem, para isso basta comer algo que contenha açúcar ou que resulte em glicose(como por exemplo pães, massas biscoitos), e hoje em dia quase tudo tem açúcar.

Às pessoas que insistem que o antibiótico causa cárie, podemos dizer que , sendo o antibiótico um “destruidor de bactérias”, seria mais lógico ele evitar a cárie, que é causada por bactérias, o que não ocorre devido ao excesso de açúcar presente em suas fórmulas, para tornar um sabor agradável para as crianças e a não higienização após a tomada.

Portanto, para evitar que o açúcar excessivo presente no antibiótico sob a forma de apresentação de XAROPE OU SUSPENSÃO ORAL, ou qualquer forma de apresentação líquida,  cause cárie, basta escovar os dentes da criança após tomar o remédio.

  Então antibiótico causa cárie?
Não. Medicamentos antibacterianos não estão entre os fatores causadores da doença cárie dentária.

E por que é feita essa associação?
Os antibióticos e demais medicamentos prescritos para crianças, geralmente apresentam-se sob a forma de suspensões adocicadas, frequentemente com sacarose, para serem aceitas mais facilmente pelo paciente infantil.
Além da presença do açúcar, muitos medicamentos também apresentam alta acidez, favorecendo a desmineralização (perda da porção mineral da estrutura dentária).
Pais de crianças enfermas geralmente são menos rigorosos com a higiene bucal de seus filhos.
3.       Então o que causa problemas nos dentes não é o antibiótico?
Isso mesmo! Posso afirmar que o risco de problemas dentários não é o princípio ativo do antibiótico, mas sim a falta de higienização após a tomada do xarope. Tanto que se o mesmo medicamento fosse administrado na forma de apresentação de cápsulas, comprimidos ou injeções, não haveria risco de prejuízo aos dentes, no que diz respeito à cárie.
Vale ressaltar que a tetraciclina pode apenas manchar o dente, mas não irá “enfraquecer” a estrutura dentária.
Assim, uma criança que toma um medicamento adocicado e ácido, de 6 em 6 horas ou de 8 em 8 horas, inclusive de madrugada, e com a escovação negligenciada, certamente apresentará maior risco de ter problemas dentários; principalmente se essa condição se mantiver por um longo período de tempo. Sob estas circunstâncias, o uso de qualquer medicamento pode aumentar o risco de desenvolvimento da cárie.

 E qual seria a orientação?
É simples: é só realizar uma boa higiene dental , com escova, pasta e fio dental após cada dose da medicação.
No caso de bebês, limpar os dentes com uma fralda de tecido ou gaze umedecida em água filtrada.


Ficou claro?

Deixe aqui em baixo o seu comentário ou sua dúvida e nos ajude a enriquecer ainda mais esse assunto!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Flúor: vilão ou mocinho?

Cerca de 95% dos brasileiros sofrem de cárie e doença das gengivas (doença periodontal), mesmo com grande número de dentistas por habitante. Um dos períodos mais importantes para se prevenir as cáries é durante a erupção (nascimento) dos dentes, sejam eles "de leite" ou permanentes.
A prevenção baseia-se em:
  • Correta higienização com escova e fio dental;
  • Controle da dieta;
  • Uso correto de flúor, para fortalecer os dentes;
  • Acompanhamento da saúde bucal pelo dentista.
Falamos a respeito de todos os itens acima em outros posts, exceto do flúor!!
Ele é muito polêmico na odontologia, pois trata-se, indiscutivelmente, de uma substância essencial, que deve ser utilizada com sabedoria, pois trata-se de uma substância muito reativa e tóxica, e para que todos possam gozar de seus benefícios, é necessária a supervisão do dentista.
Mas uma coisa é certa: O uso do flúor odontológico é imprescindível como meio complementar para o êxito no controle da cárie dental.
Por se tratar de assunto polêmico, o texto acabou ficando um pouco extenso, mas ficou bem completo e vale a pena a leitura!


O que é o flúor?

O flúor é um mineral natural encontrado em toda a crosta terrestre e largamente distribuído pela natureza. 
Lembro-me de minha época de escola, quando comecei a estudar a tabela periódica e o professor nos disse: flúor é o elemento mais eletronegativo na tabela periódica.
Eletronegatividade é a tendência que um átomo tem de atrair elétrons. É muito característico dos não-metais. Linus Pauling, através de experimentos, tentou quantificar esta tendência e criou uma escala de eletronegatividade. Essa escala existe em muitas tabelas periódicas.
A eletronegatividade aumenta conforme o raio atômico diminui. Quanto maior o raio atômico, menor será a atração do núcleo pelos elétrons mais afastados e então, menor a eletronegatividade.
Na tabela periódica, os gases nobres não são considerados, já que não tem tendência a ganhar ou perder elétrons. Já estão estabilizados.
A eletronegatividade aumenta nas famílias, de baixo para cima e nos períodos da esquerda para a direita.
O elemento mais eletronegativo é o flúor (F), com valor de eletronegatividade 3,98.
Outra coisa muito batida também nos tempos de escola é: “ os opostos se atraem”.
E você deve estar se perguntando: porque essa “mulé” tá falando disso agora, gente?!?!
Eu respondo: acabei de dizer que “eletronegatividade é a tendência que um átomo tem de atrair elétrons”, se o flúor é o elemento mais eletronegativo, sendo sua forma ionizada é “F-“, pode atrair para si qualquer outro átomo na forma ionizada positiva com facilidade. No caso da odontologia, queremos que esse flúor interaja com o cálcio ionizado (Ca++), formando o CaF2.
O problema é que, se ingerido em grande quantidade, pode, por exemplo, se ligar ao hidrogênio no estômago formando o ácido fluorídrico (HF) e consequente ferida na mucosa gástrica. No organismo pode se ligar ao cálcio dos ossos, podendo levar a moléstias ósseas como fluorose esquelética, artrite e fraturas de stress. Nos dentes em formação, seja ele um dente de “leite” em formação como um dente permanente, pode causar a fluorose dentária, logo o dente fica mais “fraco” pois o flúor “roubou” o cálcio dele.
É como dissemos, a diferença entre o veneno e o remédio é a dose!

Onde é encontrado?

O flúor é um mineral natural encontrado em toda a crosta terrestre e largamente distribuído pela natureza. Alguns alimentos contêm flúor, assim como a água fornecida por algumas empresas de serviço público.
Onde encontrar o flúor:
  • Flúor na água de abastecimento da cidade;
  • Flúor nos alimentos: sal de cozinha, alguns chás, peixes;
  • Flúor nas pastas de dente;
  • Enxaguatórios bucais (bochechos);
  • Aplicação tópica pelo dentista (flúor em gel/ espuma, vernizes, ionômero de vidro);
  • Métodos encontrados em farmácia: comprimidos, soluções, gotas (não usados mais).
Obs.: Os bochechos e a aplicação tópica devem sempre ser feitos sob supervisão do dentista. Ao fazer bochechos com flúor procure sempre expelir (cuspir) todo o produto após o uso. Atualmente não se recomenda o uso de flúor sistêmico, ou seja, comprimidos de flúor ou flúor associado a complexos vitamínicos, pois sabe-se que a ação do flúor é de caráter local.
O flúor é geralmente adicionado à água potável para ajudar a reduzir a incidência de cáries nos dentes. Na década de 30, pesquisadores encontraram pessoas que cresceram bebendo água naturalmente fluoretadas. Desde então, os estudos têm mostrado repetidamente que quando o flúor é adicionado ao suprimento de água da comunidade, a incidência de cárie diminui. A Associação Brasileira de Odontologia (ABO), a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS), dentre muitas outras organizações têm endossado o uso de flúor nos suprimentos de água, devido ao seu efeito preventivo contra a cárie, desde que seja oferecido à população em dosagens e teores adequados, não oferece risco às pessoas. No Brasil, considera-se ideal para a prevenção à cárie na maior parte do território nacional um teor de 0,7 mg de flúor por litro, admitindo-se variações de 0,1 mg para mais ou para menos. Cabe às autoridades sanitárias e aos concessionários locais monitorar o teor natural de flúor na água e adequar a oferta da substância dentro de parâmetros seguros
De acordo com a ABO (Associação Brasileira de Odontologia), a fluoretação do sistema de abastecimento público de água pode reduzir em até 60% a incidência de cáries. As estatísticas oficiais confirmam a validade da medida. O Ministério da Saúde diz que entre 1986 e 1996, houve uma queda de 53% na prevalência de cárie em crianças de 12 anos de idade provocada pela política de fluoretação.
Atualmente, o uso tópico do flúor, quer seja pelo paciente ou pelo próprio dentista, encontra-se cada vez mais difundido em vista de seus comprovados benefícios, podendo ser encontrado como componente de diversos produtos odontológicos de uso caseiro, como colutórios, dentifrícios, fio dental, etc. Esses produtos são totalmente acessíveis a qualquer indivíduo, logo, o conhecimento do seu uso correto torna-se necessário, uma vez que utilizado de forma errônea ou excessiva, o flúor pode causar intoxicação podendo até levar a óbito. 
Dos métodos de aplicação tópica, a utilização de dentifrícios (pasta de dente) com flúor talvez seja o de maior alcance, principalmente devido à intensa propaganda difundida pelos meios de comunicação de massa e pelo baixo custo.
A escovação diária com pastas fluoretadas promove uma diminuição na incidência de cárie dentária da ordem de 15 a 30%, sendo um método de prevenção reconhecido.
Como a ingestão desta substância pode trazer prejuízos, pede-se que para as crianças mais novas ou aquelas com deficiências cognitivas/motores, que não conseguimos controlar a ingestão da pasta, que façam o uso dos cremes dentais sem adição de flúor, que são facilmente encontrados em qualquer supermercado e/ou farmácia.
Os enxaguatórios bucais podem ser de uso semanal (concentração de 0,2%) ou de uso diário (concentração de 0,05%). Assim como os dentifrícios, são amplamente usados na prevenção da doença cárie, doenças gengivais e sensibilidade dentária.
Vale lembrar que muitas soluções para bochecho prometem que 90% (ou mais) das bactérias são removidas/ mortas com uso desses enxaguatórios, mas essa informação não procede. Primeiro deve-se promover uma boa remoção mecânica dos restos de alimento e placa com o auxílio de escova de dente e fio dental, e após isso faremos o uso do bochecho (bochechar em torno de 1 minuto). Assim que fazemos o bochecho, o recomendado é que após cuspí-lo, devemos ficar 30 minutos sem lavar a boca por dentro, sem beber água (ou qualquer outro líquido) e sem comer. Dessa forma, deixaremos o flúor por mais tempo em contato com a superfície dentária.
Hoje, o mercado apresenta uma larga oferta de produtos, muitos deles com propriedades terapêuticas específicas, mas sempre visando a higiene e a veiculação do flúor.
Já no consultório odontológico, muitas são as formas de uso do flúor! Existe o gel e a espuma usadas após a profilaxia (limpeza), numa concentração acima das encontradas pelo paciente nos supermercados e farmácias. O verniz usado em lesões iniciais de mancha branca de cárie e em casos de sensibilidade dentária. E o ionômero de vidro que é um material que pode ser usado para cimentações, restaurações, forramentos e preenchimentos.
Por ser esta uma substância encontrada nas mais diversas concentrações e formas de apresentação, seu uso deve ser indicado apenas por profissionais capacitados para poder determinar a quantidade e o período de uso.

Como ele funciona?

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o flúor não age nos dentes como um bloqueador que impede o acesso da cárie aos dentes.
O papel do flúor não é bloquear os dentes e nem matar a cárie, e sim realizar o equilíbrio de minerais dos dentes. O flúor não é o antibiótico que vai destruir as bactérias, não, ele não faz isso, ele só faz controlar. O flúor vai impedir os ácidos que estão dissolvendo os minerais dos dentes. Ele controla aquela perda de mineral, ele está lá pra equilibrar. Então o flúor é um moderador que já existe naturalmente nos dentes, na boca.
O flúor ajuda a prevenir as cáries de duas maneiras distintas:
  • O flúor se concentra nos ossos em crescimento e nos dentes em desenvolvimento das crianças, ajudando a endurecer o esmalte dos dentes de leite e permanentes que ainda não nasceram.
  • O flúor ajuda a endurecer o esmalte dos dentes permanentes que já se formaram.
O flúor trabalha durante os processos de desmineralização e remineralização que ocorrem naturalmente em sua boca.
  • As bactérias causadoras da doença cárie e sua saliva contém ácidos que causam a desmineralização nos dentes (perda de cálcio e fóforo). Estes ácidos são liberados após a alimentação.
  • Em outros momentos - quando sua saliva está menos ácida, ou quando removemos os restos de alimentos, e consequentemente, diminuímos a quantidade de bactéria na superfície dental - ocorre justamente o oposto, a reposição do cálcio e do fósforo que mantém seus dentes resistentes. Este processo é chamado de remineralização. Quando o flúor está presente durante a remineralização, os minerais depositados são mais duros do que seriam sem o flúor (por causa do tipo de ligação que este elemento,o flúor, tem com o cálcio e fósforo), ajudando a fortalecer seus dentes e a prevenir a dissolução durante a próxima fase de desmineralização.
Consequências do uso em excesso do flúor:

Paracelsus declarou que "todas as substâncias são venenos; nenhuma que não seja veneno. A dose certa é que diferencia um veneno de um remédio". O fluoreto não é exceção a esta observação histórica. Quando ingerido em quantidades de 1 a 3 mg/dia, como seria o caso em comunidades com fluoração ótima, é perfeitamente seguro. Entretanto, uma dose de 5 a 10 g defluoreto de sódio (aproximadamente 2,5 a 5 g de fluoreto) é uma dose fatal para o adulto, e quantidade menores são letais para as crianças. Foram relatados incidentes de envenenamento agudo pelo fluoreto em decorrência de acidentes industriais, inalação de substâncias usadas em fumigações, ingeridas de inseticidas domiciliares contendo fluoreto ou tentativa deliberada de suicídio.
Tipicamente, os pacientes com grave envenenamento por fluoreto apresentam:
  • náusea,
  • vômito, e
  • diarréia,
  • hipotensão progressiva,
  • hipocalcemia e
  • hiipomagnesemia pronunciadas,
  • acidose,
  • irregularidades cardíacas, como a taquicardia ventricular e, algumas vezes,
  • fibrilação e
  • assistolia.

Com a difusão de seu uso em odontologia, outro problema surgiu – a fluorose, o excesso de flúor no organismo. Afinal, a substância não se encontra apenas na água e nos cremes dentais: ela também está presente em diversos alimentos, como chás, leite em pó, cereais além de estar presente também nos enxaguatórios bucais.
Passou a haver uma ingestão exagerada de flúor. As grandes vítimas desse consumo desmedido são as crianças. Em algumas cidades do Brasil, como Porto Alegre, mais da metade da população entre 8 e 14 anos sofre do mal. Em seu grau mais leve, a fluorose se manifesta por intermédio de pequenas manchas brancas sobre o dente. Nos casos mais avançados, ela enfraquece o dente de tal forma que, além de ficar mais suscetível à cárie, ele pode se quebrar com facilidade.
A fluorose é um mal que avança silenciosamente. O excesso do mineral começa a estragar os dentes antes de eles nascerem, roubando o cálcio dos dentes, dessa forma deixando-os mais fracos. Se manifesta com um aspecto quebradiço e cromaticamente disforme dos dentes.
A incidência do problema é maior entre as crianças porque, não bastasse o consumo natural de flúor, elas tendem a consumir doses extras ao engolir, sem querer, pasta de dente. Vários estudos já mostraram que, até os 7 anos de idade, elas chegam a ingerir 80% da pasta de dente usada numa escovação. Por isso, vários odontopediatras recomendam que crianças de até 7 anos usem apenas cremes dentais com baixas concentrações de flúor. E que a quantidade de pasta, nesses casos, seja equivalente a um grão de arroz.   A melhor arma na prevenção da fluorose é ensinar às crianças como fazer uma higiene bucal adequada e manter em dia as visitas ao dentista. Simples assim. A fluorose não se combate com o abandono do uso do flúor. Mesmo porque, para muitos brasileiros, especialmente os das camadas mais pobres, a água fluorada é ainda a única arma contra a cárie. Além disso, quando o dente já está formado, tanto em crianças quanto em adultos, o mineral não representa nenhuma ameaça. Ao contrário: é um grande aliado.
A lista dos efeitos pode ser resumida assim, para o consumo de compostos do flúor.
  • 1,5mg/dia a 2,5mg/dia — Redução da cárie em até 70% com 20%–40% de fluorose muito leve e leve, em crianças de até 7 anos, sem nenhum efeito tóxico considerável. Sequer os pais conseguirão ver qualquer alteração no esmalte dentário. Essa quantidade corresponde ao consumo de água a níveis ótimos de flúor.
  • 6,0mg/dia — Anulação de boa parte do efeito benéfico, com presença de problemas ósseos e neurológicos em algumas crianças mal-nutridas e fluorose leve, moderada e severa com sério comprometimento da estética. Muita gente resiste bem a essa porção.
  • 10,0mg/dia a 20mg/dia — Quantidade tóxica. Algumas pessoas poderão ter problemas gástricos leves devido a formação do HF no estômago. Essa porção pode levar a moléstias ósseas como fluorose esquelética, artrite e fraturas de stress, associadas a distúrbios de aprendizagem em infantes. Corresponde a problemas reportados pelo UNICEF em comunidades indianas e chinesas. Está ligada a problemas relatados por pessoas vivendo próximo a fábricas de cerâmica e fertilizantes e consumidores de águas insalubres no Nordeste brasileiro. 
  • 200mg — Já foi relatado, nessa dosagem, morte por intoxicação de crianças mais sensíveis. Causa grande mal-estar gástrico devido a formação do ácido fluorídrico (HF) no estômago e consequente ferida na mucosa gástrica.
  • 500mg–2g — Com 500mg, em um consumo único, causa parada cardíaca e morte em crianças e com doses a partir de 2g, de fluoreto de sódio, pode matar um adulto. Lavagem gástrica e consumo de água de cal (Ca(OH)2), hidróxido de magnésio, ou leite, podem diminuir a absorção da substância por parte do organismo. É fundamental que o paciente seja levado a um hospital para tratamento.
Termino este post com uma frase usada lá no início de nosso texto: o flúor é muito polêmico na odontologia, pois trata-se, indiscutivelmente, de uma substância essencial, que deve ser utilizada com sabedoria, pois trata-se de uma substância muito reativa e tóxica, e para que todos possam gozar de seus benefícios, é necessária a supervisão do dentista para indicar a quantidade, a concentração, a forma de apresentação e o período de uso.

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