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domingo, 1 de dezembro de 2013

Flúor: vilão ou mocinho?

Cerca de 95% dos brasileiros sofrem de cárie e doença das gengivas (doença periodontal), mesmo com grande número de dentistas por habitante. Um dos períodos mais importantes para se prevenir as cáries é durante a erupção (nascimento) dos dentes, sejam eles "de leite" ou permanentes.
A prevenção baseia-se em:
  • Correta higienização com escova e fio dental;
  • Controle da dieta;
  • Uso correto de flúor, para fortalecer os dentes;
  • Acompanhamento da saúde bucal pelo dentista.
Falamos a respeito de todos os itens acima em outros posts, exceto do flúor!!
Ele é muito polêmico na odontologia, pois trata-se, indiscutivelmente, de uma substância essencial, que deve ser utilizada com sabedoria, pois trata-se de uma substância muito reativa e tóxica, e para que todos possam gozar de seus benefícios, é necessária a supervisão do dentista.
Mas uma coisa é certa: O uso do flúor odontológico é imprescindível como meio complementar para o êxito no controle da cárie dental.
Por se tratar de assunto polêmico, o texto acabou ficando um pouco extenso, mas ficou bem completo e vale a pena a leitura!


O que é o flúor?

O flúor é um mineral natural encontrado em toda a crosta terrestre e largamente distribuído pela natureza. 
Lembro-me de minha época de escola, quando comecei a estudar a tabela periódica e o professor nos disse: flúor é o elemento mais eletronegativo na tabela periódica.
Eletronegatividade é a tendência que um átomo tem de atrair elétrons. É muito característico dos não-metais. Linus Pauling, através de experimentos, tentou quantificar esta tendência e criou uma escala de eletronegatividade. Essa escala existe em muitas tabelas periódicas.
A eletronegatividade aumenta conforme o raio atômico diminui. Quanto maior o raio atômico, menor será a atração do núcleo pelos elétrons mais afastados e então, menor a eletronegatividade.
Na tabela periódica, os gases nobres não são considerados, já que não tem tendência a ganhar ou perder elétrons. Já estão estabilizados.
A eletronegatividade aumenta nas famílias, de baixo para cima e nos períodos da esquerda para a direita.
O elemento mais eletronegativo é o flúor (F), com valor de eletronegatividade 3,98.
Outra coisa muito batida também nos tempos de escola é: “ os opostos se atraem”.
E você deve estar se perguntando: porque essa “mulé” tá falando disso agora, gente?!?!
Eu respondo: acabei de dizer que “eletronegatividade é a tendência que um átomo tem de atrair elétrons”, se o flúor é o elemento mais eletronegativo, sendo sua forma ionizada é “F-“, pode atrair para si qualquer outro átomo na forma ionizada positiva com facilidade. No caso da odontologia, queremos que esse flúor interaja com o cálcio ionizado (Ca++), formando o CaF2.
O problema é que, se ingerido em grande quantidade, pode, por exemplo, se ligar ao hidrogênio no estômago formando o ácido fluorídrico (HF) e consequente ferida na mucosa gástrica. No organismo pode se ligar ao cálcio dos ossos, podendo levar a moléstias ósseas como fluorose esquelética, artrite e fraturas de stress. Nos dentes em formação, seja ele um dente de “leite” em formação como um dente permanente, pode causar a fluorose dentária, logo o dente fica mais “fraco” pois o flúor “roubou” o cálcio dele.
É como dissemos, a diferença entre o veneno e o remédio é a dose!

Onde é encontrado?

O flúor é um mineral natural encontrado em toda a crosta terrestre e largamente distribuído pela natureza. Alguns alimentos contêm flúor, assim como a água fornecida por algumas empresas de serviço público.
Onde encontrar o flúor:
  • Flúor na água de abastecimento da cidade;
  • Flúor nos alimentos: sal de cozinha, alguns chás, peixes;
  • Flúor nas pastas de dente;
  • Enxaguatórios bucais (bochechos);
  • Aplicação tópica pelo dentista (flúor em gel/ espuma, vernizes, ionômero de vidro);
  • Métodos encontrados em farmácia: comprimidos, soluções, gotas (não usados mais).
Obs.: Os bochechos e a aplicação tópica devem sempre ser feitos sob supervisão do dentista. Ao fazer bochechos com flúor procure sempre expelir (cuspir) todo o produto após o uso. Atualmente não se recomenda o uso de flúor sistêmico, ou seja, comprimidos de flúor ou flúor associado a complexos vitamínicos, pois sabe-se que a ação do flúor é de caráter local.
O flúor é geralmente adicionado à água potável para ajudar a reduzir a incidência de cáries nos dentes. Na década de 30, pesquisadores encontraram pessoas que cresceram bebendo água naturalmente fluoretadas. Desde então, os estudos têm mostrado repetidamente que quando o flúor é adicionado ao suprimento de água da comunidade, a incidência de cárie diminui. A Associação Brasileira de Odontologia (ABO), a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS), dentre muitas outras organizações têm endossado o uso de flúor nos suprimentos de água, devido ao seu efeito preventivo contra a cárie, desde que seja oferecido à população em dosagens e teores adequados, não oferece risco às pessoas. No Brasil, considera-se ideal para a prevenção à cárie na maior parte do território nacional um teor de 0,7 mg de flúor por litro, admitindo-se variações de 0,1 mg para mais ou para menos. Cabe às autoridades sanitárias e aos concessionários locais monitorar o teor natural de flúor na água e adequar a oferta da substância dentro de parâmetros seguros
De acordo com a ABO (Associação Brasileira de Odontologia), a fluoretação do sistema de abastecimento público de água pode reduzir em até 60% a incidência de cáries. As estatísticas oficiais confirmam a validade da medida. O Ministério da Saúde diz que entre 1986 e 1996, houve uma queda de 53% na prevalência de cárie em crianças de 12 anos de idade provocada pela política de fluoretação.
Atualmente, o uso tópico do flúor, quer seja pelo paciente ou pelo próprio dentista, encontra-se cada vez mais difundido em vista de seus comprovados benefícios, podendo ser encontrado como componente de diversos produtos odontológicos de uso caseiro, como colutórios, dentifrícios, fio dental, etc. Esses produtos são totalmente acessíveis a qualquer indivíduo, logo, o conhecimento do seu uso correto torna-se necessário, uma vez que utilizado de forma errônea ou excessiva, o flúor pode causar intoxicação podendo até levar a óbito. 
Dos métodos de aplicação tópica, a utilização de dentifrícios (pasta de dente) com flúor talvez seja o de maior alcance, principalmente devido à intensa propaganda difundida pelos meios de comunicação de massa e pelo baixo custo.
A escovação diária com pastas fluoretadas promove uma diminuição na incidência de cárie dentária da ordem de 15 a 30%, sendo um método de prevenção reconhecido.
Como a ingestão desta substância pode trazer prejuízos, pede-se que para as crianças mais novas ou aquelas com deficiências cognitivas/motores, que não conseguimos controlar a ingestão da pasta, que façam o uso dos cremes dentais sem adição de flúor, que são facilmente encontrados em qualquer supermercado e/ou farmácia.
Os enxaguatórios bucais podem ser de uso semanal (concentração de 0,2%) ou de uso diário (concentração de 0,05%). Assim como os dentifrícios, são amplamente usados na prevenção da doença cárie, doenças gengivais e sensibilidade dentária.
Vale lembrar que muitas soluções para bochecho prometem que 90% (ou mais) das bactérias são removidas/ mortas com uso desses enxaguatórios, mas essa informação não procede. Primeiro deve-se promover uma boa remoção mecânica dos restos de alimento e placa com o auxílio de escova de dente e fio dental, e após isso faremos o uso do bochecho (bochechar em torno de 1 minuto). Assim que fazemos o bochecho, o recomendado é que após cuspí-lo, devemos ficar 30 minutos sem lavar a boca por dentro, sem beber água (ou qualquer outro líquido) e sem comer. Dessa forma, deixaremos o flúor por mais tempo em contato com a superfície dentária.
Hoje, o mercado apresenta uma larga oferta de produtos, muitos deles com propriedades terapêuticas específicas, mas sempre visando a higiene e a veiculação do flúor.
Já no consultório odontológico, muitas são as formas de uso do flúor! Existe o gel e a espuma usadas após a profilaxia (limpeza), numa concentração acima das encontradas pelo paciente nos supermercados e farmácias. O verniz usado em lesões iniciais de mancha branca de cárie e em casos de sensibilidade dentária. E o ionômero de vidro que é um material que pode ser usado para cimentações, restaurações, forramentos e preenchimentos.
Por ser esta uma substância encontrada nas mais diversas concentrações e formas de apresentação, seu uso deve ser indicado apenas por profissionais capacitados para poder determinar a quantidade e o período de uso.

Como ele funciona?

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o flúor não age nos dentes como um bloqueador que impede o acesso da cárie aos dentes.
O papel do flúor não é bloquear os dentes e nem matar a cárie, e sim realizar o equilíbrio de minerais dos dentes. O flúor não é o antibiótico que vai destruir as bactérias, não, ele não faz isso, ele só faz controlar. O flúor vai impedir os ácidos que estão dissolvendo os minerais dos dentes. Ele controla aquela perda de mineral, ele está lá pra equilibrar. Então o flúor é um moderador que já existe naturalmente nos dentes, na boca.
O flúor ajuda a prevenir as cáries de duas maneiras distintas:
  • O flúor se concentra nos ossos em crescimento e nos dentes em desenvolvimento das crianças, ajudando a endurecer o esmalte dos dentes de leite e permanentes que ainda não nasceram.
  • O flúor ajuda a endurecer o esmalte dos dentes permanentes que já se formaram.
O flúor trabalha durante os processos de desmineralização e remineralização que ocorrem naturalmente em sua boca.
  • As bactérias causadoras da doença cárie e sua saliva contém ácidos que causam a desmineralização nos dentes (perda de cálcio e fóforo). Estes ácidos são liberados após a alimentação.
  • Em outros momentos - quando sua saliva está menos ácida, ou quando removemos os restos de alimentos, e consequentemente, diminuímos a quantidade de bactéria na superfície dental - ocorre justamente o oposto, a reposição do cálcio e do fósforo que mantém seus dentes resistentes. Este processo é chamado de remineralização. Quando o flúor está presente durante a remineralização, os minerais depositados são mais duros do que seriam sem o flúor (por causa do tipo de ligação que este elemento,o flúor, tem com o cálcio e fósforo), ajudando a fortalecer seus dentes e a prevenir a dissolução durante a próxima fase de desmineralização.
Consequências do uso em excesso do flúor:

Paracelsus declarou que "todas as substâncias são venenos; nenhuma que não seja veneno. A dose certa é que diferencia um veneno de um remédio". O fluoreto não é exceção a esta observação histórica. Quando ingerido em quantidades de 1 a 3 mg/dia, como seria o caso em comunidades com fluoração ótima, é perfeitamente seguro. Entretanto, uma dose de 5 a 10 g defluoreto de sódio (aproximadamente 2,5 a 5 g de fluoreto) é uma dose fatal para o adulto, e quantidade menores são letais para as crianças. Foram relatados incidentes de envenenamento agudo pelo fluoreto em decorrência de acidentes industriais, inalação de substâncias usadas em fumigações, ingeridas de inseticidas domiciliares contendo fluoreto ou tentativa deliberada de suicídio.
Tipicamente, os pacientes com grave envenenamento por fluoreto apresentam:
  • náusea,
  • vômito, e
  • diarréia,
  • hipotensão progressiva,
  • hipocalcemia e
  • hiipomagnesemia pronunciadas,
  • acidose,
  • irregularidades cardíacas, como a taquicardia ventricular e, algumas vezes,
  • fibrilação e
  • assistolia.

Com a difusão de seu uso em odontologia, outro problema surgiu – a fluorose, o excesso de flúor no organismo. Afinal, a substância não se encontra apenas na água e nos cremes dentais: ela também está presente em diversos alimentos, como chás, leite em pó, cereais além de estar presente também nos enxaguatórios bucais.
Passou a haver uma ingestão exagerada de flúor. As grandes vítimas desse consumo desmedido são as crianças. Em algumas cidades do Brasil, como Porto Alegre, mais da metade da população entre 8 e 14 anos sofre do mal. Em seu grau mais leve, a fluorose se manifesta por intermédio de pequenas manchas brancas sobre o dente. Nos casos mais avançados, ela enfraquece o dente de tal forma que, além de ficar mais suscetível à cárie, ele pode se quebrar com facilidade.
A fluorose é um mal que avança silenciosamente. O excesso do mineral começa a estragar os dentes antes de eles nascerem, roubando o cálcio dos dentes, dessa forma deixando-os mais fracos. Se manifesta com um aspecto quebradiço e cromaticamente disforme dos dentes.
A incidência do problema é maior entre as crianças porque, não bastasse o consumo natural de flúor, elas tendem a consumir doses extras ao engolir, sem querer, pasta de dente. Vários estudos já mostraram que, até os 7 anos de idade, elas chegam a ingerir 80% da pasta de dente usada numa escovação. Por isso, vários odontopediatras recomendam que crianças de até 7 anos usem apenas cremes dentais com baixas concentrações de flúor. E que a quantidade de pasta, nesses casos, seja equivalente a um grão de arroz.   A melhor arma na prevenção da fluorose é ensinar às crianças como fazer uma higiene bucal adequada e manter em dia as visitas ao dentista. Simples assim. A fluorose não se combate com o abandono do uso do flúor. Mesmo porque, para muitos brasileiros, especialmente os das camadas mais pobres, a água fluorada é ainda a única arma contra a cárie. Além disso, quando o dente já está formado, tanto em crianças quanto em adultos, o mineral não representa nenhuma ameaça. Ao contrário: é um grande aliado.
A lista dos efeitos pode ser resumida assim, para o consumo de compostos do flúor.
  • 1,5mg/dia a 2,5mg/dia — Redução da cárie em até 70% com 20%–40% de fluorose muito leve e leve, em crianças de até 7 anos, sem nenhum efeito tóxico considerável. Sequer os pais conseguirão ver qualquer alteração no esmalte dentário. Essa quantidade corresponde ao consumo de água a níveis ótimos de flúor.
  • 6,0mg/dia — Anulação de boa parte do efeito benéfico, com presença de problemas ósseos e neurológicos em algumas crianças mal-nutridas e fluorose leve, moderada e severa com sério comprometimento da estética. Muita gente resiste bem a essa porção.
  • 10,0mg/dia a 20mg/dia — Quantidade tóxica. Algumas pessoas poderão ter problemas gástricos leves devido a formação do HF no estômago. Essa porção pode levar a moléstias ósseas como fluorose esquelética, artrite e fraturas de stress, associadas a distúrbios de aprendizagem em infantes. Corresponde a problemas reportados pelo UNICEF em comunidades indianas e chinesas. Está ligada a problemas relatados por pessoas vivendo próximo a fábricas de cerâmica e fertilizantes e consumidores de águas insalubres no Nordeste brasileiro. 
  • 200mg — Já foi relatado, nessa dosagem, morte por intoxicação de crianças mais sensíveis. Causa grande mal-estar gástrico devido a formação do ácido fluorídrico (HF) no estômago e consequente ferida na mucosa gástrica.
  • 500mg–2g — Com 500mg, em um consumo único, causa parada cardíaca e morte em crianças e com doses a partir de 2g, de fluoreto de sódio, pode matar um adulto. Lavagem gástrica e consumo de água de cal (Ca(OH)2), hidróxido de magnésio, ou leite, podem diminuir a absorção da substância por parte do organismo. É fundamental que o paciente seja levado a um hospital para tratamento.
Termino este post com uma frase usada lá no início de nosso texto: o flúor é muito polêmico na odontologia, pois trata-se, indiscutivelmente, de uma substância essencial, que deve ser utilizada com sabedoria, pois trata-se de uma substância muito reativa e tóxica, e para que todos possam gozar de seus benefícios, é necessária a supervisão do dentista para indicar a quantidade, a concentração, a forma de apresentação e o período de uso.

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domingo, 9 de maio de 2010

Dicas sobre como escolher e usar o creme dental



“Dentes brancos e hálito puro”. Esta é uma das expressões mais usadas nos comerciais de creme dental, incentivando o público a consumir uma determinada marca.  Mas afinal, qual a importância dele na limpeza dos dentes? Como escolher o creme mais adequado entre tantas opções oferecidas pelo mercado?






O creme dental quando aplicado corretamente com a escova, limpa os dentes, remove a placa bacteriana, confere polimento às superfícies e restaurações dentais e, de quebra, combate o mau hálito. É preciso escovar os dentes bem e fazer do creme dental um aliado, assim o resultado será o mais benéfico. Afinal, dentes bem cuidados são um dos sinais mais evidentes da boa saúde bucal.
 Hoje, as alternativas em cremes e géis dentais disponíveis nas prateleiras são inúmeras, mas a melhor orientação de qual será o produto indicado vem do dentista. É ele que vai dizer qual pasta agrega os principais componentes para atender as necessidades do paciente.

Qual a diferença entre creme dental e gel dental?
Posso estar enganada, mas em minha opinião são apenas texturas diferentes. Assim como o sabonete em barra e o líquido, depende de sua preferência, mas não há distinção na ação ou no resultado da escovação.

Como funcionam e quais os tipos de pastas clareadoras? Existem contra-indicações?
Em geral, os cremes dentais que se dizem "clareadores" contém pigmentos brancos que "colorem" os dentes deixando-os temporariamente mais brancos. O clareamento dental deve ser feito em consultório odontológico quando indicado pelo dentista. Clique aqui e leia o post sobre clareamento dental (link 1 e link 2).

Crianças podem usar pasta de dente?
Podem e devem! Porém, para os bebês e crianças até quatro anos, o ideal é que se use pasta de dente sem flúor, uma vez que até os quatro anos a criança não tem controle do bochecho e pode acabar por ingerir o flúor, acarretando fluorose (manchas definitivas no esmalte dentário).

Vão aqui algumas dicas:

O creme dental ideal precisa conter flúor  
As pastas de dente têm como ingredientes principais: um abrasivo ou um agente de polimento (normalmente representados pelo Carbonato de cálcio ou Bicarbonato de sódio); um espumante ou detergente (Lauril Sulfato de Sódio); um umectante (Glicerina); um edulcorante (Sorbitol); um  solvente (Água e álcool etílico), um flavorizante e um agente terapêutico (Fluoreto de sódio).  Além disto, alguns fabricantes adicionam outras substâncias ao creme dental e criam propriedades antiplaca, antitartaro e clareadores, entre outras, que devem ser indicadas pelos dentistas em casos específicos. Diante de tanta variedade, o fundamental na escolha é que o creme dental contenha flúor (exceção feita a crianças menores de 6 anos que não sabem cuspir).

Fique de olho no nível de abrasividade
Existem cremes dentais de vários graus de abrasividade. O abrasivo é o responsável por promover uma microabrasão no esmalte dos dentes, proporcionando assim, uma limpeza mais eficiente e o polimento dental. O abrasivo limpa mais, pois risca o esmalte removendo pigmentações que o creme dental comum não consegue. No entanto, a superfície do esmalte fica cheia de rugosidades e riscos retendo mais a pigmentação dos alimentos, já que a superfície não é mais lisa. Estes danos começam a ser notados em longo prazo, caso o uso seja contínuo. Para saber se o creme dental é muito abrasivo, coloca-se uma pequena porção de creme dental entre dois dedos a fim de sentir a consistência do produto. Se a sensação for a de estar tocando em grãos de areia, descarte o seu uso.

Em caso de dentes sensíveis, utilize creme dental adequado e procure orientação especializada de um dentista
Os cremes para dentes sensíveis possuem como ingredientes ativos, além do Fluoreto de Sódio, o Nitrato de Potássio, o Citrato de Potássio ou o Cloreto de Estrôncio associados ou não. Na hipersensibilidade, por ocasião da interação de diversos fatores, os tecidos que recobrem a raiz dos dentes são degradados, expondo desta maneira a dentina. Quando a raiz do dente fica sem proteção, milhares de canalículos que compõe a dentina ficam expostos e sujeitos às agressões do meio externo como calor, frio ou pressão. A todos estes estímulos, o nosso dente responde com dor. Estes elementos citados (que fazem parte da composição química do creme dental) obstruem a entrada destes canalículos evitando, assim, que estes estímulos sejam interpretados como dor. Em muitos casos, o uso destes cremes podem até amenizar o quadro inicial, porém em outros casos é necessário um recobrimento físico desta área exposta, bem como medidas mais eficazes de tratamento. 
Muitos são os pacientes que relatam fazer o uso deste tipo de pasta sem ter necessidade, pois não tem sensibilidade. Nesses casos pergunto: você tem o hábito de tomar remédio para dor de cabeça quando não tem dor de cabeça? Essas pastas são “remédios” para pessoas portadoras de sensibilidade dental.

Coloque pouco creme dental na escova
A pasta de dente deve ser usada em pequenas quantidades, pois a espuma excessiva dificulta a correta higienização dos dentes. A quantidade certa está mais para um grão de feijão. Esqueça aquela onda de pasta de dente em cima da escova nas propagandas!

O creme precisa da companhia de uma boa escova dental  
A verdadeira responsável pela remoção da placa bacteriana é a escova dental. O creme dental atua como coadjuvante e a efetividade da remoção de placa passa a ser maior quando ele é usado em parceria com a escova. Embora o creme dental não seja indispensável para a remoção de placa, sua importância para garantir a limpeza e o polimento dental é comprovada. (clique aqui e leia o post sobre como escolher escovas de dente)
Muitos dos pacientes que chegam ao consultório com higiene dental inadequada relatam o seguinte: “mas doutora, eu uso sensodyne (ou qualquer outra pasta de dentes cara)!”
Vale ressaltar que o que limpa o dente é a escovação adequada associada ao uso do fio dental. Tenho o hábito de orientar meus pacientes da seguinte maneira: iniciar a escovação SEM pasta de dente (escovar todos os dentes e língua), fazer o uso do fio dental e após isso proceder a escovação COM pasta de dente, desta forma não ficamos com a falsa sensação de limpeza que a pasta de dentes nos provoca. Gente, pasta de dentes não faz milagre!!! Não espere que ela vá desintegrar a sua placa dental...

Lembre-se: em caso de dúvidas, procure a orientação de seu dentista!

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Orientação aos pais: dentes de leite


 
1. Como se chamam os dentes do bebê?
Dentes de leite, dentes decíduos, dentes temporários, dentes provisórios, primeira dentição e da primeira infância.

2. Se os dentes de leite são temporários, por que é importante tratá-los?
- Prepara o caminho para a erupção dos dentes permanentes, mantendo espaço nos arcos dentais e equilíbrio harmônico no crescimento (dentes, ossos e músculos).
- Proporciona uma mastigação e deglutição dos alimentos e conseqüentemente uma melhor digestão
- É importante no desenvolvimento da fonação, facilitando na pronúncia dos fonemas dentais, como: t, v, f, z, s.

- Função estética: quando deparamos com crianças esteticamente comprometidas percebemos que ocorre com elas uma dificuldade de comunicação e integração social.



3. Qual a seqüência (ordem) e a cronologia (data) de erupção?
-· Incisivos centrais inferiores - 6 meses
-· Incisivos laterais inferiores - 6 meses
-· Incisivos centrais superiores - 7 ½ meses
-· Incisivos laterais superiores - 7 ½ meses
-· Primeiros molares inferiores - 12 meses
-· Primeiros molares superiores - 14 meses
-· Caninos inferiores - 16 meses
-· Caninos superiores - 18 meses
-· Segundos molares inferiores - 20 meses
-· Segundo molares superiores - 24 meses.

4. Quais os sintomas que poderá ocorrer quando nascer os dentes de leite?
Ao nascimento dos dentes, poderão ocorrer alguns sintomas como: coceira e abaulamento da gengiva com o aumento da salivação, estado febril e até as fezes podem ficar mais líquidas. Para melhorar este desconforto devemos oferecer ao bebê, alimentos mais duros e mordedores de borracha para massagear a gengiva.

5. Em caso de atraso na vinda dos primeiros dentes de leite, o que fazer?
A idade média normal para o nascimento dos dentes é por volta de seis meses de idade. Um atraso em torno de mais de seis ou oito meses, ainda poderá ser considerado dentro dos padrões de normalidade em nossa população. Também poderemos ter dentes de leite que nascem antes do prazo médio, ou seja, logo após o nascimento (dente natal), ou por volta de dois a três meses de idade (dente neonatal). Se isso ocorrer procure o odontopediatra.

6. Quando deve começar a limpeza dos dentes de leite?
Antes da erupção dos primeiros dentes a boca e a gengiva, deverão ser limpas com a ponta de uma fralda com água filtrada, tornando mais limpa, assim como acostumar a criança à manipulação de sua boca. Quando erupcionar os dentes deve fazer a limpeza sempre que possível, principalmente à noite logo após a última mamada: molhe uma gaze com água oxigenada de 10 volumes, bem diluída com água fervida esfregando os dentes, inclusive a língua.
Após o nascimento de todos os dentes, não esquecendo da língua, iniciar a higienização com escova dental.

7. A aplicação de flúor deve ser iniciada na dentição de leite?
Sim, logo após a erupção dos primeiros dentes deve ser feita a aplicação de flúor 0,02% pelo menos uma vez por dia: colocar quatro gotas na gaze e esfregar todas as faces dos dentes superiores e inferiores. No consultório a aplicação de flúor deve ser feita por volta de dois anos e meio a três anos de idade.

8. O uso da mamadeira estraga os dentes?
O uso da mamadeira após a erupção dos dentes poderá levar a chamada cárie de mamadeira, quando apresentar um uso descontrolado e contínuo. O fato de adicionar outro componente, como açúcar e cereais, leva a um aumento da cárie. Também recomendamos que a mamadeira noturna seja suspensa gradualmente, após erupção dos primeiros dentinhos.Caso haja dificuldade, poderá oferecer mamadeira com água pura.

9. Por que a amamentação noturna pode gerar cárie de alta possibilidade?
Á noite existe uma diminuição da salivação e também do reflexo da deglutição que favorece a retenção do alimento junto ao dente.

10. O uso da chupeta ou mesmo chupar o dedo faz os dentes entortarem?
O hábito da chupeta ou sucção do dedo deverá ser interrompido por volta dos três anos de idade, quando a criança já está consciente de suas vontades e não requer mais a compensação de sugar, portanto devemos encoraja-la a deixar o hábito.Caso contrário à chupeta ou sucção do dedo levará a um desequilíbrio das arcadas dentárias e a má posição dos dentes.


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